Facebook entra no mercado de criptomoedas

Facebook entra no mercado de criptomoedas

No dia 18 de junho, o Facebook revelou oficialmente a criação de sua própria criptomoeda, chamada de Libra. Criptomoedas são um meio de troca descentralizado que utiliza a tecnologia de blockchain e da criptografia para garantir a validade das transações e a criação de novas moedas. O Bitcoin, criado em 2009, foi a primeira criptomoeda existente e, a partir de então, muitas outras foram criadas.

A criação da Libra

Segundo informações do Facebook, um dos propósitos da criação da Libra é oferecer um serviço financeiro online para quem não possui conta bancária. Esse número chega a cerca de 1,17 bilhão de pessoas, ou seja, 31% da população global. A criptomoeda poderá ser utilizada futuramente para realizar transações financeiras diárias, como pagar contas e utilizar o transporte público.

Ela promete um sistema seguro de pagamento baseado em blockchain apoiado por ativos sólidos e projetado para usuários comuns. O objetivo do Facebook é que a Libra não registre variações tão grandes quanto as do Bitcoin. Assim, pretende que o seu valor seja mais estável, atrelado ao das moedas convencionais.

Para colocar o projeto em prática, o Facebook reuniu cerca de 50 engenheiros em sua equipe de blockchain. A divisão é comandada por David Marcus, ex-CEO do PayPal. O projeto conta com uma equipe de parceiros como Mastercard, Visa, Uber e Spotify, que ajudarão na criação de um sistema seguro, escalável e de credibilidade.

A empresa anunciou também uma “carteira” chamada Calibra, para comprar, poupar, transacionar e gastar a Libra. A aplicação permitirá enviar Libras a outros contatos que o usuário possui na rede social.

A nova criptomoeda deve estar disponível em 2020 nos serviços de Messenger e WhatsApp, além de em um aplicativo independente. Ainda não foram divulgados detalhes sobre os países que aceitarão a Libra no início das operações.

Criptomoedas e campanhas de marketing

Em 2018, a grife carioca Reserva passou a aceitar Bitcoin como forma de pagamento em sua loja virtual. A adesão não fica por conta apenas das empresas de vestuário: grandes hotéis em capitais como Brasília e São Paulo e até mesmo duplas sertanejas, já passaram a aceitar pagamento em criptos.

Porém, entusiastas do tema criticam que a maioria das marcas buscam apenas se aproveitar do marketing e da visibilidade que isso traz ao negócio. Você não viu uma campanha da Reserva falando que passaram a aceitar um cartão específico, certo? Mas quando começaram a aderir o Bitcoin houve ampla divulgação.

Além disso, por enquanto, criptomoedas mais “famosas”, como o Bitcoin, são quase inviáveis para compras online, uma vez que os custos de transação e uso da rede são muito altos, assim como o tempo de confirmação do pagamento. As taxas são excessivas para pagamentos de valores baixos, o que acaba não compensando.

Hoje em dia também é possível ver empresas aderindo ao Bitcoin e blockchain como uma forma de aumentar seus valores em Bolsa. Tudo é estratégico, mas se a Libra realmente cumprir o que promete, ela pode mudar o cenário de compras online com criptomoedas.

Marketing digital

A tecnologia blockchain pode trazer benefícios para o marketing digital pois permite obter dados mais precisos, validando as informações recebidas em uma campanha, por exemplo.

1) Amplia a segurança das transações
Quem anuncia no Facebook, por exemplo, paga por impressões e cliques em seus anúncios, correndo o risco de falsificação. Por conta da tecnologia blockchain, as redes de anúncios podem compartilhar dados mais precisos, garantindo a confiança de que os cliques são de pessoas reais.

2) Aumenta a veiculação dos anúncios
Para criar um anúncio é preciso inserir dados demográficos. Isso significa estabelecer para pessoas de quais cidades ou regiões você quer que o seu anúncio apareça. Com o blockchain é possível rastrear o posicionamento nos sites e validar a região de quem visualiza.

3) Beneficia o impulsionamento de conteúdo
A tecnologia blockchain permite que plataformas como o Facebook criem recompensas para monetizar influenciadores digitais que compartilham um determinado post nas redes sociais. É um jeito de chegar na frente e ter seu conteúdo promovido de forma rápida.

A startup Inflr, por exemplo, lançou sua criptomoeda chamada de InflrCoin, voltada para marketing de influência. O algoritmo criado pela empresa calcula o valor de influência do post baseado no real engajamento do post promovido pelo influenciador. O objetivo é que a integração do blockchain ao algoritmo da Inflr proporcione mais segurança e transparência nas contratações de influenciadores para campanhas de marketing.

Agitação no mercado financeiro

Nos dias antes do lançamento oficial, os rumores sobre a Libra fizeram as ações do Facebook subirem. Além disso, agitaram o mercado de criptomoedas, o que ajudou o Bitcoin a superar a marca dos US$ 9 mil.

Não é apenas o Facebook que pretende oferecer uma moeda própria. Os aplicativos de mensagem Telegram e Signal também possuem planos parecidos. Se você gosta de estar por dentro das novidades sobre o mercado financeiro, fique de olho na movimentação dessas empresas.

#Ficaadica: quer saber um pouco mais sobre como as criptomoedas funcionam? A gente recomenda o episódio “Criptomoedas” da série “Explicando”, da Netflix.